Tradução: “S03E12: The Psychic Vortex (O Vórtice Psíquico)”

Ei, garotada! “Matemática Não É Um Saco”. É isso o que aprendemos no episódio dessa noite.

Primeiro, Sheldon nos leva a uma visita, em sua mente, à Planolândia (Flatland). Planolândia é um pequeno livro escrito há mais de 100 anos que retrata um povo que vive em um mundo com apenas duas dimensões espaciais. Seus habitantes chamam suas duas direções de Norte/Sul e Leste/Oeste. Eles não se preocupam com o nosso mundo tridimensional, que inclui uma terceira direção: Cima/Baixo. É um livro que quase todos os meus amigos físicos, matemáticos, engenheiros e cientistas da computação leram quando eram adolescentes. Exceto eu. Planolândia era o Moby Dick do meu Zelig.

Então o episódio fez com que eu tomasse vergonha e finalmente lesse Planolândia. Eu achava que, para os padrões atuais, não haveria nada de novo acerca da dimensionalidade que eu já não tivesse visto em algum outro lugar. Mas eu estava errado. Algo que eu nunca havia considerado era que ser de um mundo com uma dimensão a mais permite que você enxergue tudo dentro de um mundo com uma dimensão a menos. Como exemplo, eis a figura de uma casa de um habitante da Planolândia:

Uma típica casa na Planolândia.

 

Uma vez que os planolandeses (Flatlanders, no original, não os confunda com a banda The Flatlanders) não possuem o conceito de cobrir o “topo” e a “base” de suas casas, podemos ver o interior dos seus quartos e até dos seus armários. Por assim dizer, de uma maneira abstrata, podemos ver o interior dos círculos, coisa que eles não podem fazer. E de modo similar, um ser quadridimensional seria capaz de ver o interior de uma de nossas esferas. As pessoas quadridimensionais seriam capazes de enxergar o interior de cada parte de nossos corpos, órgãos e, até mesmo, células como se estivessem dispostos sobre uma folha de papel.

Contudo, uma página em Planolândia realmente me surpreendeu. A gravidade não pode apontar para “baixo” para eles porque eles não possuem o conceito de baixo. Ela aponta para o Sul na Planolândia. Não é explicado no livro, mas esse resultado poderia ser atingido por meio da inclinação da Planolândia em relação à Terra. A Planolândia estaria inclinada em uma dimensão que eles nem ao menos seriam capazes de compreender. Há também o fato de que a gravidade é muito mais forte em algumas regiões da Planolândia do que em outras. Parece, então, que a Planolândia não é tão plana assim, de maneira alguma… Ela deve ser não apenas inclinada, mas também curvada no espaço, assim:

A Planolândia, na realidade, é inclinada e curva. Os Planolandeses apenas não sabem disso.

O aumento do “declive” em uma das pontas significa que a gravidade tem um efeito mais forte ali. Já que os Planolandeses não tem noção de Cima/Baixo, eles também não possuem o conceito de “declive”. Por esse motivo, eles não têm uma explicação para a variação da gravidade em sua terra. Na linguagem da matemática moderna, podemos dizer que a Planolândia é um mundo bidimensional, mas que está “imerso” em um mundo tridimensional. Passariam-se  décadas após a publicação do livro até que Albert Einstein descrevesse a possibilidade de a gravidade no nosso próprio mundo estar relacionada à curvatura do espaço. Assim como muitos escritores de ficção científica, o autor de Planolândia, Edwin Abbot, estava um passo à frente dos físicos.

Livrinhos como esse podem dar a um pré-adolescente ou adolescente um gosto pela matemática que irá durar a vida toda. O que nos traz à segunda parte da matemática no episódio:

A matemática Danica McKellar fez uma participação especial como Abby no episódio dessa noite. Seus livros são ótimos para garotas do 1º Grau.

Tenho certeza de que os telespectadores notaram uma participação especial de peso na matemática. Em uma confraternização da faculdade, Raj conhece Abby, interpretada por Danica McKellar. Sim, ela é a McKellar do Teorema Chayes-McKellar-Winn (“Percolação e Multiplicidade dos Estados de Gibbs para os Modelos Ferromagnéticos de Ashkin-Teller em Z²”, no original, ‘Percolation and Gibbs States Multiplicity for Ferromagnetic Ashkin-Teller Models on Z²’). Ela escreveu esse trabalho ainda na graduação em Matemática (na minha universidade, a U.C.LA.). Basicamente, o teorema descreve como os ímãs devem se comportar se forem dispostos em uma configuração específica.

Danica McKellar escreveu uma maravilhosa série de livros para garotas pré-adolescentes e adolescentes sobre a matemática, com o título Math Doesn’t Suck (“Matemática Não É Um Saco”), seguido por Kiss my Math (“Beije Minha Matemática”. Nota de Tradução: o título é um trocadilho com a expressão “Kiss my ass”), que tratam, respectivamente, de álgebra e pré-cálculo. Um terceiro livro está a caminho.

Eu os comprei para dar uma olhada, e os enviarei à minha sobrinha futuramente. Os livros são ótimos, com exemplos reais que se conectam diretamente ao currículo da matemática. Eles são divertidos e engraçados. Mas não se engane… No conteúdo há matemática de verdade. Por exemplo, ela explica a fatoração de números primos se referindo às quedinhas que sentimos no 1º Grau. Ela dá dicas que ajudam a solucionar os temidos problemas com enunciado. Ela previne os leitores contra erros comuns: 33 não é 9. Ela inclui depoimentos de amigas, mulheres que usaram a matemática para serem bem-sucedidas, como uma engenheira de petróleo e a diretora financeira de uma revista de estilo. Há ocasiões em que ela apenas dá conselhos de amiga para as adolescentes que estão crescendo, explicando porque as moças não devem tentar parecer burras para serem populares. O primeiro livro traz a introdução e o conteúdo da álgebra. O segundo dá à leitora tudo de que precisa para entender pré-cálculo. De alguma maneira, isso tudo ainda parece divertido. Verei se minha sobrinha concorda comigo.

Os exemplos têm a intenção de causar um sentimento de identificação nas moças. Fui jantar com duas amigas no mês passado que estavam se recordando da matemática do 1º Grau. Elas chamaram atenção ao fato de que muitos dos exemplos dos livros de matemática de 1º Grau se utilizam de elementos como o futebol americano, que provavelmente atrai maior interesse dos meninos que das meninas.  Ninguém acusaria Danica McKellar de fazer o mesmo nesses livros.

Como pudemos perceber pelo amor que Sheldon sente por Planolândia desde sua infância, um pequeno livro pode causar um grande impacto na vida de um pré-adolescente e futuro matemático, físico ou engenheiro. Então pense em dar os livros da Danica McKellar para alguma adolescente que você conheça. Mesmo se não conhecer nenhuma jovem, você pode clicar aqui e Danica McKellar enviará livros para a biblioteca ou escola de sua escolha, e um autógrafo para você.


Tradução feita por Hitomi a partir de texto extraído de The Big Blog Theory, de autoria de David Saltzberg, originalmente publicado em 11 de Janeiro de 2010.

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2 Respostas to “Tradução: “S03E12: The Psychic Vortex (O Vórtice Psíquico)””

  1. Tradução: “S03E14: The Einstein Approximation (A Aproximação de Einstein)” « The Big Blog Theory (em Português!) Says:

    […] alguns episódios, Sheldon nos conduziu, em sua mente, ao país fictício da Planolândia, onde apenas duas dimensões de movimentos são permitidas. De uma maneira nem um pouco fictícia, […]

  2. Tradução: “S03E18: The Pants Alternative (A Alternativa às Calças)” « The Big Blog Theory (em Português!) Says:

    […] uma fascinante sequência de 1965 ao livro Flatland (Planolândia), Dionys Burger relata em Sphereland a vida do neto de Um Quadrado, chamado de Um […]

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