Tradução: “S04E03: The Zazzy Substitution (A Substituição Fofinha)”

No episódio desta noite, ouvimos os nomes de muitos físicos que participaram do Projeto Manhattan, o programa dos EUA que construiu as primeiras bombas nucleares. O primeiro nome ao qual fomos apresentados é o de um dos físicos mais famosos do século XX, o físico-chefe, encarregado de construir as “engenhocas”, o  Dr. J. Robert Oppenheimer.

J. Robert Oppenheimer, físico teórico e líder do Projeto Manhattan.

Ao contrário de Sheldon (e muitos outros), prefiro o termo “nuclear” a “atômico”. “Atômico” não nos diz nada de especial. Todas as reações químicas utilizam átomos, de forma que você estaria certo ainda que chamasse T.N.T. de bomba atômica. O que é especial acerca da força nuclear é o fato de ela utilizar as forças que estão contidas no núcleo, que são um milhão de vezes mais fortes que as forças que mantêm a estrutura do resto do átomo. Mais especificamente, são as reações nucleares, não as químicas, as responsáveis pelo extraordinário poder da bomba nuclear.

Oppenheimer era um físico teórico que, segundo afirmam algumas fontes, era extraordinariamente desastrado ao lidar com equipamentos de laboratório. “Oppie”, como era chamado, era um fã de idiomas e até aprendeu sânscrito sozinho. Aqueles que o conheciam descreviam-no como alguém que se encaixava entre as definições de “reservado” e “pretencioso”. De qualquer forma, ele tinha problemas em se relacionar com pessoas. Seu irmão Frank, também um físico, relata as seguintes palavras do irmão:

“Preciso mais da Física que de amigos.” – J. Robert Oppenheimer

Nesse ponto, me pergunto, será que ele se parece com algum dos físicos fictícios que conhecemos?

Contudo, ao mesmo tempo, Oppenheimer e nosso herói fictício não poderiam ser mais diferentes um do outro. Oppenheimer tinha uma ambição norteadora de se aproximar das forças políticas em Washington. Para tal, Oppenheimer chegou a mentir e falsamente implicar seu amigo, Haakon Chevalier, em uma conexão ao serviço de espionagem comunista, causando grandes danos à carreira de seu amigo e, ao mesmo tempo, avançando a sua própria. Como em uma tragédia grega, essa indelicadeza posteriormente causaria a queda política do próprio Oppenheimer, ocasionando, inclusive, a revogação de suas credenciais de segurança — um tremendo golpe para o homem que outrora fora o líder científico daquele que talvez tenha sido o maior projeto militar secreto já executado.

Oppenheimer também tinha uma forte afinidade com as religiões orientais; em especial, com o hinduísmo. Quando o primeiro teste com a bomba atômica foi realizado em Trinity Site, em 16 de julho de 1945, ele notoriamente revelou ter ponderado sobre várias passagens do Bhagavad-Gita:

Se o brilho de mil sóis explodisse de uma só vez nos céus, seria como o esplendor do todo-poderoso.

e

Agora tornei-me a morte, o destruidor de mundos.

Por coincidência, fiz uma visita a Trinity Site durante o último fim de semana. Na sexta-feira eu havia dado um seminário em um local próximo, no Observatório Rádio-Astronômico Nacional, onde se situa o Very Large Array em Socorro, New Mexico. (É o mesmo conjunto de telescópios utilizados pela Jodie Foster no filme Contato. E, sim, ela realmente foi até lá; eles ainda têm fotos de sua visita nas paredes.) Trinity site fica aberto ao público duas vezes ao ano. Você pode combinar uma visita a Trinity Site com um passeio no VLA.

Seu consultor científico em Trinity Site.

Após um pequeno trajeto pea base de mísseis de White Sands, chegamos ao local. Você pode se perguntar se é realmente sábio andar sem proteção no lugar onde uma arma nuclear de 20 kilotons foi detonada. E a radioatividade? Após o teste com a bomba atômica, o calor da explosão fundiu a areia e a poeira do plutônio em vidro, criando um novo material denominado trinitite. Pequenos pedaços de vidro verde estão espalhados pelo solo em quase qualquer lugar que se pisa.

Durante a explosão nuclear em Trinity Site, a areia do deserto se fundiu à poeira nuclear para produzir um novo mineral, trinitite.

Durante a hora em que andei pelo local, fui exposto a uma dose radioativa de 0,5 “millirems”. Um millirem é um décimo de um “Roentgen Equivalent Man” (Equivalente Roentgen no Homem), uma medida ultrapassada, mas amplamente conhecida, de exposição à radiação.

Pode parecer assustador, mas 0,5 millirems é muito pouco em relação às fontes naturais de radiação que estão por todos os lados. Uma pessoa comum nos EUA recebe uma dose de mais de 350 millirems por ano, grande parte proveniente do radônio. Ainda que tente escapar do radônio, o potássio-40 em seus ossos constantemente sofre de decaimento radioativo. Em minha visita a Trinity site, mal recebi a dose que receberia em um voo de ida e volta de duas horas entre Los Angeles e Albuquerque. Em um avião comercial, ficamos acima de uma grande parte da atmosfera que geralmente nos protege da radiação proveniente dos raios cósmicos, as partículas espaciais que atingem a terra. (Uma informação extra para os experts: o que importa não é tão-somente a dose; a duração também é importante. Doses recebidas lentamente, ao longo de um ano, dão ao seu DNA mais chances de se reparar antes de formarem os tumores que seriam ocasionados ao receber toda a dose de radiação de uma só vez.) É necessária uma dose de 100.000 millirems para que efeitos significativos ocorram no sangue.  Com o dobro disso, sente-se o enjoo de radiação.

Em muitos outros casos, a radiação é uma grande aliada. Raios-X ajudam os médicos a diagnosticarem ossos quebrados e os pósitrons emitidos em PET-scans (tomografias por emissão de pósitrons) permitem que os médicos descubram um câncer. Raios-gama e outros feixes são usados com frequência para destruir tumores após serem encontrados. Os biólogos utilizam marcadores radioativos para entender todos os tipos de processos importantes para a vida. Detectores de fumaça dependem dos decaimentos do amerício para que o fósforo seja aceso. Os reatores de energia nuclear produzem um enorme suprimento de eletricidade sem a liberação de gases que contribuem para o efeito estufa.

Agora, desconsiderando minhas queixas a respeito de “atômico” versus “nuclear”, vamos consultar com seriedade o Relógio do Apocalipse no Boletim dos Cientistas Atômicos:

O Relógio do Apocalipse do Boletim dos Cientistas Atômicos.

Faltam seis minutos para a meia-noite, pessoal.


Tradução feita por Hitomi a partir de texto extraído de The Big Blog Theory, de autoria de David Saltzberg, originalmente publicado em 7 de Outubro de 2010.

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