Tradução: “S04E05: The Desperation Emanation (A Emanação do Desespero)”

Bob, da Vila Sésamo, nos ensinou a conhecer os nossos vizinhos.

(A música, em inglês, começa na marca de 0:50)

Mas Sheldon, do The Big Bang Theory, nos ensinou a conhecer as nossas estrelas vizinhas também.

Nossa vizinhança estelar é um pouco maior do que a sua vizinhança. Como já discutimos anteriormente, a estrela mais próxima do nosso sistema solar é Proxima Centauri. Suponha que você viva numa típica casa suburbana, com um caminho de 15 metros na frente da casa. Se esse caminho fosse proporcional à distância entre a Terra e o Sol, Proxima Centauri estaria a 4.000 quilômetros de distância. Nem os especialistas em Sobrevivência conseguem se distanciar tanto assim de seus vizinhos.

Quando os roteiristas pediram que eu encontrasse os nomes das estrelas em ordem de proximidade em relação a nós, achei que seria fácil. Mas era um daqueles casos em que a internet falha. Quase todas as listas que achei na rede estavam em discordância umas com as outras. E os roteiristas precisavam de uma resposta… E rápido.

Felizmente, um dos meus amigos na UCLA, um professor do andar da Astronomia, me livrou dessa. Ele me falou do RECONS, o Consórcio de Pesquisa de Estrelas Próximas (“the Research Consortium on Nearby Stars”). Ele mantém uma lista definitiva das estrelas em nossa vizinhança. (E, só pra constar: a Wikipédia havia acertado.)

Essas são as estrelas na sua vizinhança. Na sua vizinhança. Na sua vizinhança.

Então nós ouvimos a lista que Sheldon cantou. Agradecimentos especiais a ninguém menos que o “The Bad Astronomer”, por ter ajudado com a pronúncia dos nomes das estrelas.

(É claro que a estrela mais próxima de Sheldon não é Proxima Centauri, de maneira alguma. É o Sol. Se era nisso que estava pensando durante a canção de Sheldon, parabéns! Pode ficar depois da aula e limpar os apagadores.)

E todos aqueles nomes doidos? Essas estrelas foram descobertas ao longo de milhares de anos. Algumas são visíveis a olho nu. “Sirius”, a estrela mais brilhante, foi batizada pelos Gregos antigos com um vocábulo grego que significa brilhante. Outras estrelas são batizadas em virtude das constelações nas quais estão localizadas. “Alpha Centauri A” é a estrela mais brilhante dentre aquelas que compõem a constelação de Centaurus. “Epsilon Eridani”, batizada com o nome da constelação de Eridanus e a quinta letra do alfabeto grego, é a quinta estrela mais brilhante daquela constelação. No entanto, o fato de estar mais próxima nem sempre implica ser a mais brilhante. Muitas dessas estrelas mais próximas só foram descobertas durante a modernidade, e elas foram batizadas com os nomes de seus descobridores: Jérôme Lalande descobriu “Lalande 21185″ em 1801 e “Ross 154″ só foi encontrada em 1925.

Os astrônomos ainda estão encontrando estrelas próximas até os dias atuais. A estrela de Teegarden passou despercebida até 2003. Ela é tão próxima que chega a se deslocar pelo nosso céu mais rápido do que a maioria das outras estrelas. As pesquisas encontram estrelas próximas porque, ao longo dos anos, suas posições no céu podem mudar ligeiramente, à ordem de milionésimos de graus por ano. Mas a estrela de Teegarden, uma modesta anã vermelha, deslocava-se pelo céu tão rápido que sempre era ignorada. Temos que nos sentir muito humildes diante do fato de a 23ª estrela mais próxima do nosso próprio sistema solar ter passado despercebida até esta década. E ainda podem existir outras…

Algumas das estrelas estão próximas umas das outras: Proxima Centauri e Alpha Centauri são um par, formando um sistema estelar binário. Sirius A e B, também. Cerca de metade das estrelas mais próximas estão aos pares. Nossa estrela parece estar sozinha. Ou será que não? Algumas pessoas propuseram que existe uma parceira distante e obscura, chamada de Nêmesis. Ela recebe esse nome pois acredita-se que quando sua órbita aproximá-la da Terra novamente, sua gravidade causará uma perturbação nos cometas e asteroides, fazendo com que eles chovam sobre nossas cabeças. Essa hipótese foi proposta para explicar uma possível periodicidade das extinções em massa, de cerca de 27 milhões de anos, que foi encontrada pelos paleontólogos. A periodicidade dessas extinções não é universalmente aceita. Ainda menos aceito é o fato de essas extinções periódicas poderem ser induzidas por uma estrela companheira. Mesmo assim, a primeira placa eletrônica que construí nos meus estudos de pós-graduação foi batizada de “Nêmesis”.

Se existir, de fato, uma estrela “Nêmesis” que orbite nosso Sol, uma nova pesquisa irá encontrá-la. O satélite WISE, ou Explorador para Pesquisa Infravermelha de Amplo Campo (“Wide-Field Infrared Survey Explorer“, liderado por aquele mesmo amigo da UCLA) está à procura. A luz infravermelha é mais vermelha do que a luz mais vermelha que você consegue enxergar. Objetos muito quentes, com temperaturas de milhares de graus, brilham como um filamento de lâmpada ou como o Sol à luz visível. Você é capaz de ver os rostos de seus amigos porque a luz visível é refletida pelos rostos deles em direção aos seus olhos. Mas se você tivesse visão infravermelha, os seus amigos, que são mais frios que o Sol mas, ainda assim, quentes, brilhariam à luz infravermelha. (Comparados ao zero absoluto, todos os seus amigos são “quentes”. Comparados ao Sol, são “frios”. Sinta-se livre para elogiá-los por isso. Nota de Tradução: o autor teve a intenção de fazer um trocadilho com as palavras hot, que também significa “atraente”, e cool, que também significa “legal”). Por esse motivo, o infravermelho é a cor ideal para que os astrônomos encontrem estrelas pequenas, frias e apagadas, as quais os astrônomos não notaram até agora.

O corpo humano brilha à luz infravermelha por causa do calor gerado por ele. Os astrônomos buscam estrelas obscuras e frias com telescópios infravermelhos.

Estrelas tão obscuras poderiam ter planetas orbitando ao seu redor; se estes planetas estiverem próximos o bastante, eles poderão sustentar a vida e, talvez, até mesmo a vida inteligente. Pode haver, inclusive, uma estrela mais próxima que Proxima Centauri. Quando mencionei o fato a um dos co-criadores e roteiristas de The Big Bang Theory — quando ele estava visitando a UCLA para fazer um discurso de colação de grau para o Departamento de Física e Astronomia — ele me disse: “A Federação pode estar mais próxima do que imaginamos.”


Tradução feita por Hitomi a partir de texto extraído de The Big Blog Theory, de autoria de David Saltzberg, originalmente publicado em 21 de Outubro de 2010.

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