Tradução: “S04E07: The Apology Insufficiency (A Insuficiência do Pedido de Desculpas)”

O episódio desta noite teve um convidado especial, o Dr. Neil deGrasse Tyson, Diretor do Planetário de Hayden, na cidade de Nova York. Como Sheldon nos ensinou, o Dr. Tyson foi instrumental na definição de uma nova classe de objeto do sistema solar, o “planeta-anão”— e na subsequente demoção de Plutão a essa classe.

Dr. Neil deGrasse Tyson, astrofísico, fez uma participação no episódio desta noite no papel de Dr. Neil deGrasse Tyson.

Vários objetos de tamanho similar ao de Plutão compartilham da mesma órbita, sendo que um deles tem, inclusive, uma órbita ainda maior. Se Plutão é um planeta, também devem sê-lo as outras cinco, ou mais, massas redondas que orbitam o nosso Sol (que não sejam luas). Até alguns anos atrás, você poderia gravar seus nomes com uma simples frase mnemônica: “Minha Vó, Traga Meu Jantar: Sopa, Uva, Nozes e Pão” (de Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão).

Eris é maior que Plutão e orbita o Sol a uma distância bastante similar. No entanto, nunca foi chamado de planeta.

Mas como Dr. Tyson diz no Hayden, não atenhamo-nos somente à contagem de planetas. Mais importante que isso é o fato de os planetas se encaixarem em classes diferentes. Os quatro primeiros são rochosos, com núcleos de ferro, e são tipicamente chamados de planetas telúricos. Os próximos quatro planetas são gigantes gasosos. A existência de dois tipos distintos de planetas não é acidental. À medida que o sistema solar se formava a partir de uma massa gasosa, cerca de 5 bilhões de anos atrás, o material que encontrava-se mais próximo do centro era muito mais quente, devido à proximidade do Sol. Dessa forma, pequenos grãos metálicos e áridos poderiam se formar e, em seguida, se amalgamar; o mesmo, no entanto, não poderia ser feito com os gases. Somente a partir da distância de Júpiter a temperatura tornava-se fria o suficiente para possibilitar a cristalização do metano e da água em gelo, criando uma amálgama que daria origem aos gigantes gasosos.

Ao menos, é isso que a teoria nos conta. Não podemos observar nosso próprio sistema solar sendo formado. Mas durante os últimos dois séculos, começamos a anotar dados reais, pois temos a habilidade de observar os planetas que orbitam outras estrelas. Estamos prestes a sermos capazes de mensurar a distribuição de planetas telúricos e gasosos que orbitam muitas estrelas diferentes. Veremos o que os dados nos dizem.

Provavelmente teríamos, também, um quinto planeta rochoso, mas a constante influência gravitacional exercida por Júpiter em sua órbita ao redor do Sol impede que a matéria além de Marte se combine, de maneira que temos, em seu lugar, o Cinturão de Asteroides. Alguns ainda conseguem ter o tamanho suficiente para a formação de esferas, sob a influência de sua própria gravidade, como é o caso do asteroide Ceres. Em última instância, a definição de planeta passou a incluir um novo critério, que dizia que os planetas deveriam ter suas órbitas, em grande parte, livres de outros materiais. Ceres e Eris falharam no teste. E Plutão também.

Será que teríamos chamado Ceres de planeta também? (windows2universe.org) Será que as definições realmente importam?

Indo mais longe que Netuno, encontramos um tipo diferente de objetos. Lá fora, perto de Plutão, há milhares de objetos compostos por rochas e gelo. Sua composição é similar à composição dos cometas. E não é algo surpreendente. É de lá que muitos dos cometas de curto período (de órbitas de 50 a 200 anos) se originam. Esses objetos formam um terceiro tipo de objeto, além dos planetas telúricos e dos gigantes gasosos, formando aquilo que chamamos de Cinturão de Kuiper, uma grande coleção de objetos que orbita o Sol quase no mesmo plano que os planetas. Esses são alguns dos objetos da pesquisa conduzida por Raj em temporadas passadas, os “Objetos Transneptunianos”.

Acredito que o quiprocó público acerca de Plutão tenha sido bom para a ciência. Afinal de contas, mostramos aos nossos benfeitores que nossas ideias não estão escritas em pedra. Demonstramos um marco da ciência ao admitirmos que, perante o surgimento de uma ideia melhor, estamos dispostos a mudar nossas definições e teorias.

Mas o que acho realmente divertido é que isso tenha acontecido com os astrônomos, que em outras ocasiões se prendem à velha nomenclatura mais do que qualquer outra área que conheço:

Comecemos com a “nebulosa planetária”. “Nebulosa” é o nome dado pelos astrônomos a qualquer objeto que se pareça com uma nuvem. Até aí, tudo bem. Os astrônomos, muitos anos atrás, encontraram algumas delas ao redor de estrelas. Na época, os astrônomos acreditavam que se tratava de gás e outros fragmentos localizados em um disco planetário, o que explica a origem do nome. Atualmente, os astrônomos sabem que essas nebulosas são formadas por estrelas que já se encontram à beira da morte. O gás é expelido à medida que a estrela encerra sua vida, fato que não tem qualquer relação com a formação de planetas. Já que os astrônomos estão nessa de corrigir a definição de planeta, por que não corrigir a “nebulosa planetária” para alguma outra coisa também?

A "Nebulosa de Hélix" é uma nuvem de gás expelida por uma estrela a 700 anos-luz de distância e é um exemplo de nebulosa planetária. Se olhar com atenção, você poderá encontrá-la na parede do apartamento de Leonard & Sheldon.

Outra incoveniência deixada pela astronomia de 2000 anos é a classificação da intensidade das estrelas no céu, chamada de magnitude aparente. Você até poderia pensar que uma magnitude maior seria mais brilhante, mas estaria errado. É ao contrário. Tudo bem, um sinal negativo não mata ninguém. A estrela mais apagada visível a olho nu tem o grau 6. A estrela Vega foi escolhida como parâmetro de calibragem, o grau 0. Só que, na verdade, Vega tem uma magnitude de -0,03. Mas, que tal mudar essa escala? Uma única vez? Ou uma vez a cada 2000 anos? Não. Será que Vega foi escolhida por ser a estrela mais brilhante do céu? Isso faria sentido. É, passou perto. Ela é a quinta estrela mais brilhante. Contudo, ela foi a primeira a ser fotografada, o que definiu a escala para todo o sempre depois disso.

E para piorar as coisas, olhemos a magnitude quantitativamente. Aqui na Califórnia, estamos acostumados a usar a escala Richter para medir a magnitude dos terremotos. E ela é bem simples. Um terremoto de magnitude 6 faz a terra tremer cerca de 10 vezes mais que um terremoto de magnitude 5. Um de magnitude 7 faz a terra tremer cerca de 100 vezes mais que um terremoto de magnitude 5. Essa é uma boa maneira de medir algo cuja distribuição varia de maneira tão ampla. Ela é chamada de escala logarítmica, ou escala proporcional. Então, isso quer dizer que uma estrela de magnitude=5 é 10 vezes menos brilhante que uma de magnitude=4? Não. Então, como é? Um fator de 2,5119. Por quê? Porque essa é a raiz quinta de 100. Faça uma pergunta boba e uma resposta boba terá. Herdamos essa escala dos Gregos antigos. Não há nada de errado com ela, mas ela realmente dificulta desnecessariamente o ensino da matéria àqueles que não estudam ciência de maneira predominante na faculdade.

As estrelas podem ser classificadas de acordo com a temperatura de suas superfícies. Elas recebem letras que variam das temperaturas mais quentes às mais frias. Agora, você deve estar esperando A, B, C, D,…. Ah, tá. A ordem é O, B, A, F, G, K, M. É uma relíquia de uma tentativa anterior de classificar as estrelas com base na força da absorção da luz pelo hidrogênio. Mas ela é de fácil memorização, com essa frase em inglês: “Oh, Be a Fine Girl (Guy), Kiss Me!”.

Ao menos a reclassificação de Plutão é um progresso. A astronomia vai estar aí por, pelo menos, outros 2000 anos para, lentamente, corrigir os outros. De agora em diante, só precisamos nos preocupar com “Minha Vó, Traga Meu Jantar: Sopa, Uva e Nozes”.


Tradução feita por Hitomi a partir de texto extraído de The Big Blog Theory, de autoria de David Saltzberg, originalmente publicado em 4 de Novembro de 2010.

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